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Mercy Gregor Samsa

“Tive professores, mas nem sempre nota-se a diferença do centeio correndo pelo campo de trigo. As urtigas frutificam sem o olhar apurado e uma vida se passou; as inférteis morrem ao sabor da vingança enquanto as outras tentam não cometer este erro.

Somos forçados a entender o mais rápido possível, de tudo. Mas tudo sempre esteve ali e nós não fazemos diferença para este. Podem me dizer que todas as coisas mudam, mas no fim, a essência é a mesma. Deixar o tempo fluir, ser mais devagar pode ajudar a apreciar a beleza da vida – viver, não somente sobreviver – mas a criança de então cresce e aprende com seus próprios erros.

Os livros alimentaram-na tanto quanto a uma raça, mas sendo ela incapaz de falar, a música pôs palavras em sua boca pois elas dali nunca sairiam mesmo. A maior ousadia que possa ter cometido foi se revoltar com o que era inaceitável mas isso tinha justa causa e merece tanto perdão quanto aqueles seus primeiros erros que batizaram-na no mundo dos homens.

Misturou a realidade e a fantasia a tal ponto de se perder e não saber nem ao menos quem é. Tentou abandonar este surrealismo sem sucesso antes de ser tragada pela última e sem volta vez. A criança-crescida saiu em busca do semelhante.”

-C’est fini pour ajourd’hui, foi o que disse meses atrás quando terminei de ler A Metamorfose e de escrever este trecho.

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