Assinatura RSS

CORAGEM OU A AUSÊNCIA DE MEDO

Condenei-me tanto depois de assistir a uma entrevista que Sartre deu aos seus amigos nos seus melhores dias de vida que tenho vergonha de me pronunciar. Parece-me que a força que este homem teve para defender suas idéias era inextinguível. Sempre me surpreendo com a mensagem que ele tentou passar em seus livros, mas agora, vendo-o contar sua história de vida, suas escolhas que deram errado e como ele seguiu adiante, meus olhos enchem-se de lágrimas. Mais do que ninguém, Sartre poderia reclamar do azar que teve, da hipocrisia de quem não o queria ouvir e da sua existência, mas ele foi forte fazendo disso sua matéria principal para incutir mudanças.

O cursor realmente parou no início deste parágrafo devido a inconstância dos meus pensamentos – mais uma falha que estou tentando resolver – a mensagem pré-determinada a ser passada aqui fugiu à cabeça, mas vamos lá, ela não seria nada se não fosse ser adicionada a alguma experiência vivida por mim. Sei muito bem que somos nossas lembranças e o aperfeiçoamento das falhas anteriores, nada além.

O quanto ligamos para a voz de nossa consciência, o nosso eu certinho e mais exigente? Pouco seria a melhor resposta para alguns que transparecem isso em sua maneira de ser, alienados, ignorantes por opção. Minha consciência fala comigo como a da maioria, mas na sua diferença, grita como se tivesse vida e visse todas as minhas ações de um terceiro ângulo.

Um outro eu, melhorado, independente, que não assume a culpa, que sobrevive das glórias e que foge nas horas mais difíceis para depois voltar tendo razão em me acusar das chances que deixei escapar por entre dedos. Um outro eu talvez mais covarde, injusto e impune.

A conciliação das opiniões divergentes entre meus dois eu’s consome energia, sono e principalmente atenção, se tornando desta maneira uma verdadeira guerra. O campo inimigo é sempre intransponível, cercado de muralhas, mas ainda assim, parece próximo o suficiente para se chegar lá e fazer com que alguns pensamentos sejam substituídos.

Nunca tenho medo de tentar. Nunca obtendo uma vitória, sou covarde o suficiente para não usar de toda a força disponível, já que depois de tudo, amanhã será outro dia e é melhor abandonar a briga no calor da batalha do que perder essa guerra por completo. Nunca ser covarde e ter medo foram sinônimos para mim. Nunca desisti de algo e agora não será diferente.

E o que isso tudo tem a ver com Sartre? Ele foi um mestre usando metáforas.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: