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o que é, o que é?

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Seria a nossa época, o nosso regime econômico, nossos costumes ou apenas um costume de ser jovem? Esta confusão que nos assola, será que assola apenas a mim? E, se sim, por que a mim, e não a quem me vê? Porque não aos outros?

O que é, o que é, que tira nosso sono e vontade?

E se nada for? E se for devaneio, se nos consome tanto, ao corpo inteiro, mas no fundo nada é e nada nunca foi? E se for frescura, coincidência, ou alguma dessas coisas que acontecem e não se deve dar atenção?

Se houver algum irmão por aí, que levante a mão e se manifeste.

(texto escrito em 23 de maio de 2012)

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Barcos e flores de gente

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Corri e andei. Procurei em lugares estranhos por coisas que não sei bem o que eram; talvez todas fossem você. À beira do precipício, meu corpo enfrentando o mar, seu barco me encontrou. O mesmo barco de sempre, remando em novos mares. Talvez também estava perdido – ou estava ali para encontrar?

Seus braços me alcançam e eu vou no escuro… Sem medo de tropeçar, vendo mais do que se quisesse ver. Não preciso de luz, ele já é a luz; suave, nada incômoda, quente. Quente como o sol que é para mim.

Sente-se ao meu lado. Sente-se no trono que fiz, das pétalas de minhas próprias flores. Quanto tempo tomou para ficar pronto, e agora que está, é só seu. Sente-se, deixa-me ouvir sua voz… O amanhã não existe, até onde sei. Ontem está tão longe que não lembro mais. Só há você e eu, o silêncio e o escuro, e as cores do nosso amor.

Adeus, mundo velho.

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Vocês, já regozijando o fim do mundo, sentem bem suas bundas em seus respectivos sofás e cadeiras, pois a novidade que tenho para contar pode não parecer, para alguns, do melhor cunho.

Ei-la: o mundo não vai acabar.

Pode lhes parecer chocante à primeira vista, mas resistam à tentação de não desacraditarem e aceitem que, feliz ou infelizmente, o mundo há de continuar seguindo. Admira-me que no século XXI ainda há pessoas que tomam profecia acima da ciência, e até mesmo alguns “ateus”; não que a ciência esteja sempre certa, mas relaxem, meus camaradas, não é nesse ano que viramos todos poeira. 

Tendo dito isso, já está mais do que na hora de vocês começarem suas listas. Já está mais do que na hora de mentir que vão emagrecer, aproveitar a vida, andar de bicicleta, comprar menos sapatos, serem menos rabugentos ou qualquer outra coisa. E enquanto estiver nisso, aproveite para, quem sabe, mudar seus hábitos hoje, apenas mais um dia no calendário – porque, veja, primeiro de janeiro também é isso, apenas mais um dia no calendário.

Eu, por exemplo, tentarei postar mais. Ainda que ninguém leia, há de se deixar algo a ser lido quando o mundo acabar.

Uvas anônimas

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Passeava por entre as gôndolas de um supermercado qualquer, repleto de luz e sacos de plástico, quando o viu. A reação foi instantânea. Escondeu-se no corredor no qual se encontrava e esperou pacientemente que ele passasse, sem vê-la. Esperou mais alguns segundos e seguiu com o carrinho de compras para o açougue. E quem mais poderia estar na fila – olhando justamente para a sua direção naquele momento – senão…

No meio de sua tentativa patética e frustrada de dar meia-volta, ele a chamou.

– Ei!

Ignorou. Provavelmente não era com ela, mesmo. Nunca era.

– Ei! Eu estou falando com você.

Virou-se lentamente:

– Oi, é comigo?

– É sim.

Silêncio.

– Eu só ia pedir… Eu sei que…

Seu coração acelerou. Era ele, conversando com ela. Finalmente! Será que seria agora, o esperado momento? Assim, no açougue do mercado? Melhor do que nada, claro… Era agora!…

-…é estranho, mas eu queria saber onde você comprou esse pacote de uvas. Eu não consegui achá-los em lugar nenhum hoje!

– Ah… – sentiu seu coração parar e voltar aos pouquinhos, os olhos já quase perdendo a vontade de segurar as lágrimas – era o último pacote.

E o silêncio, novamente.

– Você quer levar? Eu não gosto muito de uva, mesmo.

– Não, que é isso, imagina. Obrigado, de qualquer forma.

Tirou o pacote do seu carrinho e colocou no dele.

– Fique com o pacote.

– Obrigado.

– De nada.

Deu meia-volta, dessa vez com sucesso, e foi direto ao caixa. Até esqueceu de comprar carne, até esqueceu que carne ia comprar. Carregou sozinha as poucas sacolas até sua casa, onde entrou também sozinha, e passou a noite sozinha, seguindo-o na surdina por todos os cantos que as redes sociais permitiam.

(E as uvas não tiveram mais o mesmo gosto…)

No caminho certo

 A imagem acima representa exatamente o que estou buscando agora para minha vida. Pode soar simplista, mas a vida de excessos já teve seu tempo comigo. Para quê exigir mais de onde não se recebe nada? Para quê arranjar tantos problemas quando se pode sozinho curtir seus momentos únicos? A ideia é a de ser independente.

Num processo de amadurecimento, escolhas mudam e isso é certeza – o que num dia foi o ideal, hoje parece supérfluo. Buscava-se conforto de uma forma egoísta, e quem sabe tudo aquilo não passava de uma mera competição, algo criado por esse padrão consumista fixado. Mostrar-se melhor, dizer as vantagens próprias e gastar horas no Facebook para manter-se a par do que merecia ser conferido eram atividades que se tornaram anteriores a essa fase.

Meus gostos não são ótimos e por vezes já pensei que eu não posso afirmar que ‘gosto disso’ ou ‘entendo daquilo’ pois aplicando-se a passatempos ecléticos, não tenho um conhecimento bem específico e profundo sobre um dos hobbies. Uma vez pensava que entendia de livros/literatura, agora acho que não; depois acabei negando que entendia de música e de muitas coisas mais. No fim ainda admito que talvez no caminho traçado desses últimos anos, possa ter esquecido de admirar a natureza, concentrado que estava com as pessoas, mas esta agora é uma chance de aperfeiçoar-me em quem realmente sou.

Passatempo

Image Nada como o Twitter para dar sequência ao processo de purificação do passado e esquecimento 2.0:

As tarefas cotidianas são excelentes também, mas a ironia bem elaborada que por vezes é encontrada no site faz com os neurônios faísquem. Claro que há pessoas insuportavelmente tediosas com seus abismos sentimentais, mas no balanço geral, o humor ácido vence. Algumas pérolas seguem abaixo:

 

“biscate não sai na chuva com medo de virar canja”

“Estou em um relacionamento de longa distância porque o meu namorado mora no futuro.”

“Internet, essa fantástica fabrica de modinha”

“No jogo do facebook, ou você causa inveja nos amigos ou você morre.”

“O mundo dá tantas voltas. Não sei como ainda não estou tonta.”

“Livros da lista do vestibular são escolhidos para que você não consiga ler de tão chato que o livro é”

“Tia que curte Power point de gatinho e não pega vírus = poser”

“Pense pelo lado positivo: enquanto você dá um gelo em mim eu aproveito e uso na minha vodka.”

“Adesivo fosco que cobre todo o carro: a marca do cretino moderno.”

“Com o tanto que a humanidade já desperdiçou de tempo jogando Sudoku, dava pra ter encontrado a solução da crise do Euro.”

“achei 25 centavos acho que já rola de comprar algumas terras na grécia”

“”vc precisa arrumar um namorado”. amg, não arrumo nem meu quarto.”

“Gays servem pra descobrir e catalogar subcelebridades.”

“eu com 12 anos assistia bananas de pijamas, hoje em dia meninas de 12 anos já vêem outro tipo de banana e sem pijama mesmo.”

“São tantas minorias aparecendo que todos acabam fazendo parte de alguma. O que não faz sentido, porque a maioria faz parte de uma minoria.”

Cura

A data escolhida para abordar o tema não poderia de forma alguma ser mais propícia. Iniciado no último dia do mês e ainda num dia que assim como a minha querida vida, se repete de quatro em quatro anos, tornando-se previsível. Uma postagem deste cunho merece algo que a contemple, que a gratifique acima de tudo; então nada melhor do que as honoráveis divagações da minha inquietação interior.

Os 29 dias, que aqui pareceram extremamente calmos, surtiram um efeito de maresia.  Um pouco de falta de propósito e uma pitada de vergonha fizeram com que a roda girasse e mais uma mudança acontecesse. O marasmo, quem sabe, também teve sua parcela na contribuição para que ela se tornasse efetiva. Não simples, mas grandiosa de significado; estratégica aliás.

Voltar as raízes, fazer comparações, medir, pesar, compassar. Tive tempo. Deitei espaço à linha do tempo e deixei os ponteiros correrem contando as horas. Fiz isso e nada melhor agora que praticar o desapego. Ver e ter certeza de que muito do que se repete só tem um culpado – encarecidamente intitulado pelo vulgo como eu.

De fato, ter certas manias, algumas obsessões e ainda não ser coerente não tornam quem você é mais único. Pode soar que um gosto ou uma opinião, comportamento corporal até, constroem sua imagem baseada na sua personalidade, mas esta não é uma afirmação sensata e para dó de muitos que tentam todos os dias conquistar olhares, personalidades estão entrando fora de foco neste exato momento.

A cultura de massa não é a responsável. Os antagonistas também se generalizam pelo exato fato de divergirem dos demais que cederam e agora amolam os degraus. Todos encaminhando-se para um igualamento e para o fim (não apocalíptico) da criatividade.

Remoí incontáveis vezes ideias semelhantes as anteriores durante o período de ausência. Cheio de remorsos, estipulei os pontos “chave” dentro dos quais quero trabalhar e coloquei em vigor aquilo que já fosse possível de se realizar agora. Para curar, cortei as cordas que me uniam a última fase. Espero que esta Hégira tenha um final feliz e que se der sorte nunca mais me verá. Aquietei-me e minha consciência está límpida como um cristal.

Ocupo meu tempo lendo e o que se repete junto com o ano bissexto explico numa próxima!