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No caminho certo

 A imagem acima representa exatamente o que estou buscando agora para minha vida. Pode soar simplista, mas a vida de excessos já teve seu tempo comigo. Para quê exigir mais de onde não se recebe nada? Para quê arranjar tantos problemas quando se pode sozinho curtir seus momentos únicos? A ideia é a de ser independente.

Num processo de amadurecimento, escolhas mudam e isso é certeza – o que num dia foi o ideal, hoje parece supérfluo. Buscava-se conforto de uma forma egoísta, e quem sabe tudo aquilo não passava de uma mera competição, algo criado por esse padrão consumista fixado. Mostrar-se melhor, dizer as vantagens próprias e gastar horas no Facebook para manter-se a par do que merecia ser conferido eram atividades que se tornaram anteriores a essa fase.

Meus gostos não são ótimos e por vezes já pensei que eu não posso afirmar que ‘gosto disso’ ou ‘entendo daquilo’ pois aplicando-se a passatempos ecléticos, não tenho um conhecimento bem específico e profundo sobre um dos hobbies. Uma vez pensava que entendia de livros/literatura, agora acho que não; depois acabei negando que entendia de música e de muitas coisas mais. No fim ainda admito que talvez no caminho traçado desses últimos anos, possa ter esquecido de admirar a natureza, concentrado que estava com as pessoas, mas esta agora é uma chance de aperfeiçoar-me em quem realmente sou.

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Cura

A data escolhida para abordar o tema não poderia de forma alguma ser mais propícia. Iniciado no último dia do mês e ainda num dia que assim como a minha querida vida, se repete de quatro em quatro anos, tornando-se previsível. Uma postagem deste cunho merece algo que a contemple, que a gratifique acima de tudo; então nada melhor do que as honoráveis divagações da minha inquietação interior.

Os 29 dias, que aqui pareceram extremamente calmos, surtiram um efeito de maresia.  Um pouco de falta de propósito e uma pitada de vergonha fizeram com que a roda girasse e mais uma mudança acontecesse. O marasmo, quem sabe, também teve sua parcela na contribuição para que ela se tornasse efetiva. Não simples, mas grandiosa de significado; estratégica aliás.

Voltar as raízes, fazer comparações, medir, pesar, compassar. Tive tempo. Deitei espaço à linha do tempo e deixei os ponteiros correrem contando as horas. Fiz isso e nada melhor agora que praticar o desapego. Ver e ter certeza de que muito do que se repete só tem um culpado – encarecidamente intitulado pelo vulgo como eu.

De fato, ter certas manias, algumas obsessões e ainda não ser coerente não tornam quem você é mais único. Pode soar que um gosto ou uma opinião, comportamento corporal até, constroem sua imagem baseada na sua personalidade, mas esta não é uma afirmação sensata e para dó de muitos que tentam todos os dias conquistar olhares, personalidades estão entrando fora de foco neste exato momento.

A cultura de massa não é a responsável. Os antagonistas também se generalizam pelo exato fato de divergirem dos demais que cederam e agora amolam os degraus. Todos encaminhando-se para um igualamento e para o fim (não apocalíptico) da criatividade.

Remoí incontáveis vezes ideias semelhantes as anteriores durante o período de ausência. Cheio de remorsos, estipulei os pontos “chave” dentro dos quais quero trabalhar e coloquei em vigor aquilo que já fosse possível de se realizar agora. Para curar, cortei as cordas que me uniam a última fase. Espero que esta Hégira tenha um final feliz e que se der sorte nunca mais me verá. Aquietei-me e minha consciência está límpida como um cristal.

Ocupo meu tempo lendo e o que se repete junto com o ano bissexto explico numa próxima!

A Fuga

 

Image

Anteriormente denominada por mim como exílio, as férias estão sendo capazes de revelarem agora algo muito além desta pequena visão antiquada. Mais do que uma exclusão consciente, essa fuga das relações se mostra como um momento de tomada de consciência. A quebra eficiente do ciclo de histerias, atravessada pelo cuidado devido com as horas de sono, favorece em cem por cento o processamento de informações.

Fatos ocorriam sem que eu raciocinasse os prós e os contras de maneira adequada, deixando tudo de lado em propósito de manter contato com o círculo social, supostamente mais importante. Essa técnica fajuta de deixar acumularem-se lembranças amargas mostrou-se totalmente ineficiente quando trabalhada sobre animais canibais como nós somos. Nenhuma resposta tão adequada para tantos porquês, antes vaga. Meus grandes problemas acabaram se revelando como consequências do subconsciente primitivo alheio: Aleatório, livre e ainda regido pelos instintos.

Deixo um pouco de lado essa crítica porque se a jornada caquética pela qual sociedade passou não surtiu efeitos conclusivos sobre o cérebro, um pedido meu neste espaço não seria mais forte do que milhares de anos contados em simples livros de história. Quis apenas expor uma das conclusões que brotaram nessas últimas semanas de abstinência e que tentou explicar tantas escolhas erradas, acusando a culpa do próximo – como era esperado de ser.

Aliás, o melhor desse isolamento é que meus pensamentos voltaram a ser um campo fértil ao invés daquela área de lama salgada e fétida, infestada de fantasmas do passado. Na primeira semana fui fechando o que se encontrava em andamento na mente e na segunda descansei para que a partir da terceira semana, preguiçosamente, pudesse mexer no que havia vivido, digerindo o que pudesse ser conveniente e quem sabe guardando um rancorzinho.

Na balança, concluo que o ano não foi todo mal. “Diz-se que apenas o capitão tem o direito de afundar com o navio.” Você pode e deve saltar do barco antes que ele se vá. Aplaudi de pé e com lágrimas a brotar, a coragem demonstrada, a ousadia e o diálogo dispensado comigo. É estranho ter um sentimento destes, algo semelhante à satisfação mesclada com agradecimento, mas mesmo sem argumentos para minhas maluquices, sem razões ou pretextos para isso, acredito no futuro iniciado com a fuga. 

Right as Rain

Finalmente posso dizer que a temporada dos títulos em letras maiúsculas se foi. E desta vez não houve aumento de peso ou lágrimas, acredito que com o aumento da freqüência com que isso acontece, conseguimos descobrir um pouco mais sobre quem realmente somos. Foram apenas duas semanas nesta situação até que transferi toda a aura de angústias para os ombros de outra pessoa e espero que ela me ajude a lidar com isso. Eu que usualmente reclamava por estar cansado, me renegarei a esperar. Esta é a oportunidade certa de agir.

Posso não estar usando a pontuação corretamente, mas com toda essa variação de humor constante, provavelmente daqui a alguns dias já vou olhar esta postagem com maus olhos, como olhei as que escrevi nos últimos quatro dias e as apaguei. Esta é a média, a conciliadora de todas, para que de alguma forma eu transmita algo para quem lê Almas Mortas. Transmitir o que? Para ser mais específico, deixá-los a parte de que talvez este exército de fantasmas, idêntico ao do livro homônimo em sua passividade, parta finalmente sem seu dono. Abandonei por tempo demais os meus princípios primordiais. Moldei-se muito às necessidades e só consegui estas memórias pequenas que me enchem agora, mas que dias depois não vejo valor.

Sabes, moldar-se é fácil, o que você tem que fazer é esquecer seus sonhos e acatar as decisões imbecis da maioria. Você, agindo em grupo, pode ser mais bem quisto por este grupo do qual faz parte, aumentando suas relações e sua posição na escala irreal que comanda, mas sua consciência grita toda noite dizendo que aquele não é você. Realmente, perdi-me e não soube mais quem eu era. Acordei desse torpor relembrando-me das coisas que costumava dizer que faria quando era criança e que ainda não cumpri. Agora tento reparar a homogeneização a qual sofri conscientemente. Só de pensar nesse ciclo se fechando novamente sinto medo. Medo da canção de mim mesmo e o rumo que ela me guiará.

Acordar desta maneira é fantástico. A quantidade de energia e a força que parecem estar a minha disposição no momento fazem da relva na qual vivo um canteiro para as bases de um futuro no mínimo animador. Estou mudando mais uma vez, voltando atrás segundo alguns que costumeiramente liam Ele Não Disse Isso, mas agora o objetivo é crescer, amadurecer com o decorrer do tempo. Reinventando-me mais uma vez. Também odeio a passagem de muito tempo em tão poucas frases promovedoras de uma utopia, mas percebi que não sou vago quanto a opiniões, percebi que sou forte e que quero ser tão certo quanto a chuva o é.

WORTHLESS

Porque o mais difícil é continuar seguindo em frente

Frequentemente alguma experiência social criada por mim mesmo me envolve por completo e acontece que com o tempo as mais simples perdem a graça e então decido pelas mais complexas. É legal por algum momento na vida explorar novos horizontes tão alheio quanto o resultado de um jogo de dados, mas o efeito colateral de desfrutar dessas aventuras é muito mais do que uma dor de cabeça, e não são conseqüências físicas ou coisas do tipo que me preocupam. O equilíbrio é afetado. Corro o risco de, como um velho ator que se perde em seus antigos personagens, perder a identidade. E qual a razão desta confissão?

Como muitos jovens que tentam representar esta geração, me deparo com dilemas, becos sem saída e falhas na salvadora esperança, verdadeiras rochas a se ultrapassar. Acordo todo dia não com o pensamento de vencer, mas que tudo o que conseguirei é aprender com os muitos erros. Sempre quis saber se meu relógio interno que é acelerado ou se o tempo realmente passa devagar, sempre quis saber se existem mundo afora outras pessoas semelhantes a mim e o porquê de todos evitarem a morte.

Deixo claro para todos os leitores que a maioria dos problemas que eu tentava lidar anteriormente se foram, o doce também se foi e nem foi culpa minha. Nem ao menos preciso fazer uma escolha errada para que tenha que começar do nada novamente.

Enterramos o passado quando são fechados todos os pontos. Depois de se arriscar e acabar confirmando os nossos piores temores [de que não temos valor] erguemos o pescoço, abrimos um sorriso e seguimos em frente até a próxima queda. Assim é suposto (deve) ser.

Quem liga para tudo isso? Se você já teve estes pensamentos bizarros, esqueça as regras e pule de cabeça no novo, a moral aqui foi tentar convencê-lo de que nada é pior do que não tentar.

“As pessoas podem gostar de alguém que gosta de si mesmo, mas estou me lixando para estas pessoas.”

Sandra Bullock

CORAGEM OU A AUSÊNCIA DE MEDO

Condenei-me tanto depois de assistir a uma entrevista que Sartre deu aos seus amigos nos seus melhores dias de vida que tenho vergonha de me pronunciar. Parece-me que a força que este homem teve para defender suas idéias era inextinguível. Sempre me surpreendo com a mensagem que ele tentou passar em seus livros, mas agora, vendo-o contar sua história de vida, suas escolhas que deram errado e como ele seguiu adiante, meus olhos enchem-se de lágrimas. Mais do que ninguém, Sartre poderia reclamar do azar que teve, da hipocrisia de quem não o queria ouvir e da sua existência, mas ele foi forte fazendo disso sua matéria principal para incutir mudanças.

O cursor realmente parou no início deste parágrafo devido a inconstância dos meus pensamentos – mais uma falha que estou tentando resolver – a mensagem pré-determinada a ser passada aqui fugiu à cabeça, mas vamos lá, ela não seria nada se não fosse ser adicionada a alguma experiência vivida por mim. Sei muito bem que somos nossas lembranças e o aperfeiçoamento das falhas anteriores, nada além.

O quanto ligamos para a voz de nossa consciência, o nosso eu certinho e mais exigente? Pouco seria a melhor resposta para alguns que transparecem isso em sua maneira de ser, alienados, ignorantes por opção. Minha consciência fala comigo como a da maioria, mas na sua diferença, grita como se tivesse vida e visse todas as minhas ações de um terceiro ângulo.

Um outro eu, melhorado, independente, que não assume a culpa, que sobrevive das glórias e que foge nas horas mais difíceis para depois voltar tendo razão em me acusar das chances que deixei escapar por entre dedos. Um outro eu talvez mais covarde, injusto e impune.

A conciliação das opiniões divergentes entre meus dois eu’s consome energia, sono e principalmente atenção, se tornando desta maneira uma verdadeira guerra. O campo inimigo é sempre intransponível, cercado de muralhas, mas ainda assim, parece próximo o suficiente para se chegar lá e fazer com que alguns pensamentos sejam substituídos.

Nunca tenho medo de tentar. Nunca obtendo uma vitória, sou covarde o suficiente para não usar de toda a força disponível, já que depois de tudo, amanhã será outro dia e é melhor abandonar a briga no calor da batalha do que perder essa guerra por completo. Nunca ser covarde e ter medo foram sinônimos para mim. Nunca desisti de algo e agora não será diferente.

E o que isso tudo tem a ver com Sartre? Ele foi um mestre usando metáforas.

 

 

Mercy Gregor Samsa

“Tive professores, mas nem sempre nota-se a diferença do centeio correndo pelo campo de trigo. As urtigas frutificam sem o olhar apurado e uma vida se passou; as inférteis morrem ao sabor da vingança enquanto as outras tentam não cometer este erro.

Somos forçados a entender o mais rápido possível, de tudo. Mas tudo sempre esteve ali e nós não fazemos diferença para este. Podem me dizer que todas as coisas mudam, mas no fim, a essência é a mesma. Deixar o tempo fluir, ser mais devagar pode ajudar a apreciar a beleza da vida – viver, não somente sobreviver – mas a criança de então cresce e aprende com seus próprios erros.

Os livros alimentaram-na tanto quanto a uma raça, mas sendo ela incapaz de falar, a música pôs palavras em sua boca pois elas dali nunca sairiam mesmo. A maior ousadia que possa ter cometido foi se revoltar com o que era inaceitável mas isso tinha justa causa e merece tanto perdão quanto aqueles seus primeiros erros que batizaram-na no mundo dos homens.

Misturou a realidade e a fantasia a tal ponto de se perder e não saber nem ao menos quem é. Tentou abandonar este surrealismo sem sucesso antes de ser tragada pela última e sem volta vez. A criança-crescida saiu em busca do semelhante.”

-C’est fini pour ajourd’hui, foi o que disse meses atrás quando terminei de ler A Metamorfose e de escrever este trecho.